Transição capilar: Identidade, aceitação e empoderamento.

setembro 21, 2017

Pelas lentes de @dalila_brito
Em várias partes do mundo, o estilo de cabelo afro sofre com a não aceitação. Durante muito tempo e até os dias atuais, os fios crespos e cacheados são enquadrados em estereótipos preconceituosos e racistas, que os caracterizam como “ruins”. Para se encaixar no modelo valorizado muitas pessoas submetem seus cabelos a procedimentos químicos, alisamentos com chapinha ou escova.
Na contramão desse processo, a transição capilar tem sido um resgate de identidade e empoderamento de quem começou a alisar o cabelo desde criança. Esse processo inclui a quebra dos padrões impostos pela sociedade e é muito mais que estética, representa aceitação, um resgate da identidade e o aumento da autoestima dessas pessoas.
Eu cresci sendo “educada” que cabelo crespo/cacheado era quase uma “anomalia”, não era legal, não era bonito. Ainda criança passei pelo processo de alisamento e depois de muitos anos passei pela chamada “transição capilar” sem saber que estava passando por isso. Contei um pouco no post: Meu cabelo, minha identidade!
Conversei com algumas meninas que também passaram pelo processo e decidi compartilhar com vocês.
Shagaly Ferreira (foto: @janeisesantos)

Shagaly Ferreira começou o processo de alisamento aos 12 anos: “Eu era uma criança e queria apenas poder deixar os cabelos soltos, mas havia uma discriminação enorme com meu tipo de fio. A única maneira de deixá - lo solto e evitar o preconceito das pessoas era alisando os cabelos”, relata Shagaly, que já concluiu o processo de transição.

A aceitação dos cabelos cacheados e crespos é um tema que vem sendo bastante discutido e está obtendo resultados positivos. Um deles é a transição capilar. Nesse processo, a pessoa decide parar com os procedimentos químicos e opta por assumir seu cabelo natural, que geralmente é um cabelo crespo e/ou cacheado. O período de transição varia, podendo demorar meses ou anos. Algumas mulheres recorrem ao BC (big chop ou grande corte) e cortam toda parte alisada de uma vez, mas também é possível  cortar aos poucos.
Jamile Alves (via Instagram)

“Eu quis cortar o mal pela raiz, cortei de vez para me sentir  livre daquelas duas texturas de cabelo o mais rápido possível, mas minha amiga que me incentivou na transição cortou aos poucos. A transição é um momento muito marcante para quem passa, é um momento de redescoberta e isso é individual e intransferível”, conta Jamile Alves, leitora do blog, que iniciou sua transição capilar há 2 anos. Ela diz que começou alisar o cabelo aos 8 anos e que viu no alisamento uma forma de se livrar dos penteados que a mãe fazia.
Vanessa dos Santos (via Facebook)

Vanessa dos Santos, leitora e colaboradora do blog, conta que já sofreu preconceito de outras meninas que também tem o cabelo cacheado/crespo, mas não aceitava o seu tipo de cabelo: “Dentro dos crespos, cacheados, também tem o "padrãozinho" de cabelo, o que é contraditório já que o movimento de aceitação veio para que o padrão o qual estava dado não mais nos acorrentasse. No entanto, dentro do meu convívio a um tipo de cabelo que é mais aceito que outro.
Já ouvi várias vezes que eu teria que fazer um tratamento para soltar os cachos, para diminuí o volume”.

Eu também já passei e ainda passo por isso. Sempre vem alguém desnecessário comentar sobre o meu cabelo ter mais de um tipo de cacho ou quando faço fitagem sempre ouço um: Teu cabelo fica mais bonito definido. Usa assim sempre! Hello, o cabelo é de quem mesmo? Parem, apenas parem!
Adailane Souza (foto: @janeisesantos)

Adailane Souza assumiu o cabelo natural há 3 meses, após a retirada das tranças sintéticas. Ela conta que buscou inspiração em grupos nas redes sociais e percebeu que o cabelo não precisava ser liso para ser bonito. “O primeiro passo é se aceitar, aceitar sua identidade. Depois ter paciência, pois o processo não é fácil. Você tem que se olhar no espelho e se achar linda e a partir daí você vai se reconhecer e aprender a amar seu cabelo”, essa é a dica que ela dá para quem pensar em iniciar a transição, mas ainda está insegura.

Hoje em dia, em todos os lugares é possível encontrar mulheres e homens que estão passando ou já concluíram a transição capilar. E é lindo de ver! Assumir o cabelo natural não é só questão de estética, é também um símbolo de luta, de resistência. Crescemos dentro de um padrão social que nos ensina a odiar nossos traços e assumir nossas raízes tem um significado enorme, o resgate da identidade! Cabelo crespo/cacheado é amô. Não esqueçam disso!

Obrigada as meninas que me ajudaram a montar esse post e obrigada quem leu até aqui. Gratidão!

Xoxo,  Janeise! ❤

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12 comentários

  1. Estou na transição capilar pela segunda vez. Dessa vez resolvi investir em produtos específicos e dar uma chance para o natural, mas tenho uma grande dificuldade em penteados e na hora de finalização, nem todas dão um efeito legal. Mas achei ótima a ideia do post e um baita incetivo.

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  2. Amo muito cabelo cacheado, acho lindo e acho que as pessoas que querem assumir, tem que assumir mesmo pq vcs são muito divas! Mas comigo é diferente, tbm aliso os cabelos desde que tinha 8/9 anos, minha mãe é cabeleireira, ela mesma fez o alisamento, faço progressiva umas duas vezes por ano, e sabe, eu acho que a minha identidade cacheada morreu, ou sei lá, não me imagino cacheada outra vez, já tentei, mas parei no meio do caminho, mas o importante é estarmos felizes com nós mesmas, não é mesmo?

    Peixinhos na bochecha!
    Talo de Maçã
    Fanpage

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  3. Acho lindo cabelos cacheados, mas não em mim. O problema do meu cabelo é que ele é crespo, não forma cachos, então é muito complicado me assumir! Quem sabe um dia... 😉

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  4. É, a transição capilar não é fácil mesmo, mas acho que assumir os cachos vale a pena!
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  5. Eu fico MUITO feliz em ler depoimentos de como a transição capilar fez bem pra pessoa... Acho que se não tá legal não tem nada de errado em "voltar atrás", mas é incrível ver quem seguiu em frente!
    Outro dia eu estava no ponto de ônibus e havia uma mãe com a filhinha que tinha acabado de passar pelo seu primeiro alisamento definitivo. A criança não tinha mais de 6 anos e os padrões racistas já tinham levado a mãe a aceitar e pagar por uma química tão agressiva no cabelo dela! Fiquei com uma mistura de raiva, choque, aperto no coração... Nem sei descrever! Claro que a gente deve fazer o que quiser pra se sentir bem, eu mesma faço muita chapinha, adoro e não escondo, mas naquele momento fiquei pensando se era até saudável, sabe? Não gostei muito...

    sweetluly.expressorosa.com/

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  6. Transição capilar é algo que vai além de "mudar de visual", mexe muito com a auto estima da pessoa e com a personalidade da mesma. Eu tentei passar porém desisti, eu não me via como a "Thais" que eu queria ser, não me achava bonita e acho que tudo isso contribuiu para que eu desistisse. Fico extremamente feliz por ter sido inspiração para algumas pessoas e por ver que elas estão firme e forte. Adorei as histórias que foram contadas aqui e a única coisa que importa no final é a pessoa se sentir bem.

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  7. Que postagem legal! espero que muitas meninas se sintam encorajadas a passar pela transição e se aceitarem

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  8. Legal, cachos são lindos mas como eu não tenho não posso opiniar sobre afinal não sei nada sobre, mas eles bem bonitos mesmo, beijos!

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  9. Oi, tudo bem? Acredito que cada pessoa precisa se sentir bem sendo ela mesma, seja com cabelo liso, cacheado, loira, morena, o mais importante é a autoestima. Sempre tive meu cabelo cacheado e isso me incomodava muito, não pelos outros mas por mim mesma. Depois que fiz progressiva me sinto mais feliz, mais livre, e ele dá muito menos trabalho pra cuidar. A mídia tem pregado muito a transição, valorização dos cachos, bem semelhante quando cultuavam cabelos lisos. Mesmo acompanhando a mídia diariamente precisamos seguir nosso coração e bem estar. Beijos, Érika =^.^=
    https://www.corujageek.com/

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  10. Oi, tudo bem? Acredito que cada pessoa precisa se sentir bem sendo ela mesma, seja com cabelo liso, cacheado, loira, morena, o mais importante é a autoestima. Sempre tive meu cabelo cacheado e isso me incomodava muito, não pelos outros mas por mim mesma. Depois que fiz progressiva me sinto mais feliz, mais livre, e ele dá muito menos trabalho pra cuidar. A mídia tem pregado muito a transição, valorização dos cachos, bem semelhante quando cultuavam cabelos lisos. Mesmo acompanhando a mídia diariamente precisamos seguir nosso coração e bem estar. Beijos, Érika =^.^=

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  11. Eu adoro ler depoimentos do tipo, pois sempre são cheios de sentimentos e verdade! Se aceitar é uma coisa bem difícil. Eu tenho a autoestima muito baixa, e lá por 2014 tentei mudar isso e alisei meu cabelo; acabou que eu me sentia meio estranha com os fios daquele jeito, então deixei crescer naturalmente, e foi ótimo. Embora eu ainda não me ache tão bonita, amo olhar no espelho e ver meu cabelo do jeito que é <3
    Infelizmente ainda tem muita gente que considera cabelos cacheados e crespos como ruins, sendo que fazem parte de uma beleza natural das pessoas. Como eu vivo dizendo: o único cabelo ruim é o que a gente acha na comida :v

    Beijos e parabéns pelo post ;*

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  12. oiê!

    que coisa mais linda! <3 adoro ver pessoas se aceitando e propagando por todo canto a mensagem do amor próprio. por mais pessoas assim no mundo! <3

    infelizmente o que se prega por aí é pra abominarmos aquilo que não faz parte do padrãozinho. mas como assim? é errado ser "diferente"? é errado querer ter um estilo próprio e se aceitar?

    amei os relatos das meninas. vamo que vemo nos empoderar mais e mandar a mensagem pro mundo. ;)

    bjs! 💗
    Não me venha com desculpas

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