#29 | Meu cabelo, minha identidade!

agosto 29, 2017

Pelas lentes de Dalila Brito
Quase todo dia é a mesma coisa, a mesma história! Alguém sempre tem algo para falar em relação ao meu cabelo, seja um elogio, uma crítica, ou uma crítica disfarçada de elogio. Para quem não passa pela mesma situação parece simples, mas acredite, não é! E o tema de hoje é o momento para falar sobre isso: Meu cabelo, minha identidade!

Cabelo para mim não é só estética, não é só aparência, tem muito a ver aceitação, auto-estima e identidade! Eu cresci sendo “educada” que cabelo crespo/cacheado era quase uma “anomalia”, não era legal, não era bonito.  Quando era criança, passava um bom tempo sentada para que minha mãe ou minhas irmãs fizessem tranças no meu cabelo. Eu não gostava tanto de tranças, mas as aceitava. Cresci um pouco e cheguei ao estágio “alisamento”, achando que iria melhorar. A televisão jogava aqueles cabelos lisos na minha cara e meio que dizia que para ser bonita tinha que alisar e minha mãe nem exitou quando eu pedi. “Era mais fácil para arrumar”, era o que ela dizia. Nunca gostei de fazer chapinha, ou usar qualquer coisa que esquentasse no meu cabelo, então o alisamento realmente era “a melhor opção”. Passei muitos anos usando o mesmo penteado (rabo de cavalo) para ir a escola, para ir a festas e qualquer outro lugar que fosse. Soltar o cabelo? Deus me defenderay! Não me sentia bem, nem mesmo depois de alisar o cabelo. Como era possível?

Depois de tantas tentativas frustradas, a frequência do alisamento foi diminuindo e depois de um certo tempo, eu não fazia mais questão de alisar. Eu passei pela transição sem saber que estava passando por uma. Comecei a ter novas referências, além daquilo que me era mostrado na televisão, nas propagandas. Comecei o processo de entendimento da minha identidade negra e que eu não deveria me envergonhar, ao invés disso deveria me aceitar.

Meu cabelo faz parte de quem sou, é a minha identidade! Eu não preciso ter uma imagem que agrade as pessoas, eu preciso me agradar e é isso que importa. Hoje, depois de toda metamorfose que meu cabelo passou, quando me olho no espelho tenho uma sensação de liberdade. E não tem nada melhor que isso!




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